República Erasmus


Chegadas e partidas

Muitos fatos ocorreram nesta semana. Hoje, quinta-feira, 30/05, durante a tarde, fui ao Parque Eduardo VII e, deitado na grama, sob agradável sol de verão, li um "bucadinho" do meu guia sobre Espanha, pois, afinal, lá estarei a partir deste sábado. Antes de seguir rumo à Gulbenkian, para assistir a uma da série de palestras da conferência "O Estado do Mundo", passei pela feira do livro e comprei 2 Constituições portuguesas. No momento da compra, faltavam 60 centavos e um agradável senhor inteirou o valor, dizendo que eu parecia um bom rapaz. Conversamos um pouco, no interior do estande, montado ao longo do Parque e suas inclinações "salazarianas" minaram a minha admiração pelo seu ato de liberalidade.

À noite, eu, Thiago e Daniel fomos até Belém, assistir a uma das apresentações das "Noites de Jazz", que ocorrem às quintas no Centro Cultural Belém.

Ontem, houve uma pequena "vodka party" em minha residência, claro, com a presença de inúmeros "polacos". Como não estava nem um pouco afim de beber, fiquei só na observação e, claro, admirei-me com as 4 doses de vodka, por pessoa, em apenas 1 hora. Enfim, coisas do leste europeu... Conversamos sobre diversos temas e comparamos o aborto e o serviço militar no Brasil, na Polônia e na Hungria.

Na terça-feira, 29, rumei, a pé, ao memorável Bairro Alto, dada a greve geral do dia 30 - claro, os metroviários não ficariam de fora. A greve ocorreria no dia 30, mas desde as 22h50 do dia 29 iniciou-se a paralisação, ainda que houvesse um anúncio, nas estações, referindo-se à abertura do metrô entre a meia noite e 1h do dia 30. Após ter esperado 15 minutos em frente à fechada estação Marquês de Pombal, na esperança da abertura da mesma, decidi descer a Avenida da Liberdade e subir as colinas do Bairro Alto. Caminhar, à noite, ao longo da Liberdade é sempre agradável e um anúncio de "Arrenda-se" deprendeu a minha atenção. Afinal arrendar é vender ou alugar? Decifra ou será devorado...!

 

O motivo de minha ida ao Bairro foi a despedida de George e Gina, simpático casal grego, de partida, digo, retorno, para a Grécia. Comemoramos nossa amizade no memorável Bairro Alto, em um interessante "pub", ao som de "blues" e os estudantes "Erasmus" deram-se conta - incluindo eu - que as tristes despedidas passaram a ter início.

blues

Gina e George (Grécia), eu, Rahim (UK), Mihail (Polônia) e Moritz, agachado (Alemanha)

Eu e George, empaturrando com os "rins" (pão com cobertura de chocolate e recheio de creme, em formato de... rim!) da Padaria do Bairro Alto



Escrito por André Oliveira às 22h22
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Vamos às compras?

O endereço é, digo, sugestivo. Avenida do BRASIL, número 460, Lisboa, PORTUGAL. O supermercado é, no entanto, RUSSO, frequentado por russos, ucranianos e demais imigrantes do leste europeu.

Vamos às compras?

Bom, comecemos por uma espécie de pepino, em conserva, NOJENTO...

...na próxima prateira, colocamos uns MIOJOS RUSSOS...!!!

...um ketchup sempre cai bem, não é mesmo?

...aqueles biscoitos pra comer vendo enlatado americano na TV... 

...cerveja, pra beber e coçar o saco durante o jogo do Cruzeiro...

e, por fim, o espetacular, o sensacional e o fantástico molho da marca... WALDEMAR!!! (puta que pariu, olha onde brasileiro vai buscar inspiração pra pôr nome, viu?)



Escrito por André Oliveira às 19h19
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"Tourada em Portugal é vergonha nacional!" (17/05)

Manifestação contrária à prática de touradas na arena do Campo Pequeno, em Lisboa. "Shame, shame, shame on you!"

 



Escrito por André Oliveira às 23h14
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Costa da Caparica (12/05)

Caparica, 30 minutos, de "autocarro" (ou ônibus, para os mais íntimos), da Praça de Espanha. O paraíso, digo, a praia nunca ficou tão próxima de casa. Eu, Fabrício e Thiago partimos de manhã e na Caparica permanecemos ao longo de todo o dia - especificamente, até as 21h, considerando os longos dias europeus (sim, escurece-se por volta das 21h). Resultado? Negritude. De fato. "Se calhar", retorno mais preto do que quando parti. Será que a PF aceitará a foto do meu passaporte? Eis a questão...

 

 

Na praia, ocorria a "Erasmus Beach Party" e, dadas as péssimas informações do folder de divulgação do evento, andamos, andamos, "andiamo" e nada de achar a maldita festa. Ironicamente, disse que, a qualquer momento, chegaríamos no Algarve, extremo sul de Portugal, tendo em vista o minúsculo litoral lusitano, comparado, claro, às dimensões brasileiras. Fome? Sim, com direito a almoço! Pão de sal com atum, e nada de farofa, ok?

Arif, indonésio de Jacarta, chegou mais tarde à Caparica e, confesso, enfrentamos um outro e novo sacrilégio: encontrá-lo. Na praia, ocorria o torneio mundial de surf juvenil, e, para achá-lo, fizemos da estrutura do evento um ponto de referência. A bandeira do Brasil, misturada a bandeiras de diversos países, tornou-se um instrumento capital: "vá e fique debaixo da bandeira brasileira, que nós iremos vê-lo", disse.

No final, tudo deu certo. Arif, "Beach Party", enfim, alcançamos o inalcançável e chegamos à longínqua Praia do Rei, onde ocorria a festa. Um torneio de vôlei - do qual não pudemos participar, pois as "equipas" já se encontravam formadas e o campeonato já estava em andamento - e, inclusive, uma aula de capoeira faziam parte do evento Erasmus, em clima, logo, de intensa "brasilidade".

 

 Sim, o Arif existe

Posso ser leigo na arte da capoeira, mas "gringo" gingando é coisa de outro mundo!

 Uma bandeira, uma nação, uma PÁTRIA: BRASIL!

Bin Laden, cadê tú, meu filho?



Escrito por André Oliveira às 22h23
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FESTA! FESTA! (Mao, 19/04)



Escrito por André Oliveira às 19h33
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Jardim Botânico, Museu de Ciências e História Natural (05/05)

Após uma semana não muito agradável, quando, apesar da mudança para a festiva residência Tomás Ribeiro, dei-me conta da necessidade de estudar mais (obviamente, não como no Brasil), tive um fim de semana positivo. Além de ler algumas dezenas de páginas - de modo a tranquilizar a minha pesada consciência -, visitei o Jardim Botânico, juntamente com os brazucas Thiago e Daniel. Caminhamos pelas ruelas e pude observar palmeiras nativas de várias partes do mundo. O ar puro e fresco, bem como as vívidas cores das folhas e flores são, de fato, prazerosos. O íntimo contato com a natureza é, certamente, revigorante.

Após passearmos pelo Jardim Botânico, gerenciado pela Universidade de Lisboa, fomos ao pequeno Museu de História Natural, onde vimos uma réplica de ossada de um Tiranossauro Rex, de 15 metros de comprimento. Ao lado da sala "jurássica", uma exposição de mineralogia continha peças das longínquas Minas Gerais, bem como dois pequenos diamantes de Angola. No Museu de Ciências, apliquei os meus parcos conhecimentos físicos nas variadas brincadeiras e atividades práticas, afinal, f = 1/T!

é ouro! é ouro!!!

Passamos o fim de tarde na turística e movimentada Praça de Camões, onde uma passeata pela legalização da maconha acontecia (cada figura, meu Deus!). Comemos pastel de bacalhau no tradicional "A Brasileira" - frequentado por Fernando Pessoa - e, assentados nas muretas da estação Baixa-Chiado, ouvimos jazz, tocado por um artista que, apresentando os seus números, pede moedas em troca. Eu e Thiago seriamente pensamos em fazer algumas apresentações de pagode ou algo do gênero, que, sem dúvida alguma, nos renderia alguns... Euros!  

À noite, fomos ao sempre movimentado Bairro Alto. Após andarmos e apreciarmos a vida boêmia, rumamos para Picoas, subindo a Avenida da Liberdade, às 3 horas da manhã. Eita... vou ter saudade de "Descer o Chiado e subir a Avenida"!!!



Escrito por André Oliveira às 21h07
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Residência nova... vida nova!

Pois... Já me encontro em minha nova "morada", no bairro Picoas. Transferi-me, definitivamente, no dia 1 de Maio. A residência é universitária, havendo cerca de 33 estudantes da Universidade de Lisboa, e leva o nome da rua na qual se situa - Tomás Ribeiro.

Divido o quarto com Piotr (polaco) - que já conhecia -, e com Ricardo, da Ilha de Madeira. O idioma oficial, entre nós, é o português. Às vezes, a língua fluente modifica-se para o inglês, quando Gregor, húngaro, visita-nos para contar sobre os seus "projects", ou "projetos", denominação curiosa por nós dada para referirmos aos "chavecos" (putz, que expressão mais fora de moda essa, mas tudo bem, vocês entenderam...!). Eu e Piotr nos convencemos que Ricardo, definitivamente, não fala português, mas sim uma espécie de "mandeirês", dada a sua relativa incompreensibilidade.

Do outro lado da rua, na residência Pedro Nunes, vivem Thiago, brasileiro de Campinas, e Hugo - um dos portugueses mais engraçados que já conheci. Para economizar nas ligações e para enfatizar o espírito suburbano e polido, às vezes saio na sacada (sim, o meu quarto tem uma sacada!) e dou um berro - "THIAGOOOO!" -, seguido por um "O que você vai fazer hoje???". Dei a idéia de puxarmos um telefone de barbante, o que seria, de fato, inegavelmente interessante. 

Abaixo, foto tirada pelo Thiago, do outro lado da rua, no meu primeiro dia na minha nova residência

 

 

Quem foi Tomás Ribeiro?

Tomás António Ribeiro Ferreira (Parada de Gonta, Tondela, 1 de Julho de 1831 — Lisboa, 6 de Fevereiro de 1901), mais conhecido por Tomás Ribeiro, foi um político, publicista, poeta e escritor ultra-romântico português. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, exerceu advocacia durante pouco tempo, pois cedo enveredando pela carreira política. Membro destacado do Partido Regenerador, foi Presidente da Câmara Municipal de Tondela, Deputado, Par do Reino, Ministro da Marinha, Ministro das Obras Públicas e Governador Civil dos distritos de Braga e do Porto. Foi ainda secretário-geral do governo da Índia Portuguesa e embaixador de Portugal no Brasil. Eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa foi presidente da sua Classe de Letras. Escritor e jornalista multifacetado, Tomás Ribeiro deixou uma obra vastíssima. Foi pai da poetisa Branca de Gonta Colaço e avô do escritor Tomás Ribeiro Colaço.

 



Escrito por André Oliveira às 16h20
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ERASMUS TRIP (Évora, Beja, Albufeira e Lagos, PORTUGAL) - ABR/07

 

 Portugal: afinal, o que há de interessante nesse país?

 

Ruínas romanas do Palácio de Diana, em Évora.

Com o polaco Andrezej, na Universidade de Évora - onde há azulejos para TODOS os estilos e gostos!

foto artística, podem falar ;-)

eu DUVIDO se há no mundo capela mais MACABRA do que esta!!!

PS: olhem o detalhe do teto!

hahahaha! todo mundo parou pra ver esse carrinho!

ê vida mansa...!

Corredor polonês??? Piotr, Andrezej e Mihail - BIG PARTY em Beja!!!

...TODO MUNDO se divertindo!...

Piotr dançando FUNK!!! hahahahaha!

FESTA! FESTA! e... FESTA!!!

Passeio de barco pelas grutas marítimas de Lagos. Barco das Nações Unidas? - eis a questão.

entrando nas grutas!!!

HI5! Andrezej e Mihail

com a japonesinha AKIYO! Sim, lê-se "aqui ó"!!!

invasão brasileira em Lagos: com a carioca Patrícia e a paulista Vanessa

quando 4 alemães, 3 poloneses e 1 brasileiro assentam-se, jantam e traçam os destinos do mundo... ahahahaha, até parece, ne?

xi... quando várias nacionalidades se juntam... só há FESTA! Mihail (Polônia), Gina e George (Grécia - sim, eles falam em grego e eu não entendo bulufas) e Rahim (UK) - eita mistura boa!!! 

???

 Praia de São Rafael, Albufeira, Portugal

 ...isso tá parecendo um país que eu conheço muito bem...

 



Escrito por André Oliveira às 20h36
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EUROPA: unida na diversidade

Afinal, o que há além do "Velho Mundo"?

O continente europeu é marcado, manchado e glorificado pela história. As civilizações grega e romana são notáveis pela influência na cultura e pensamento ocidentais, bem como é vívida a longa presença de bárbaros e mouros, datada do período compreendido entre os séculos V e XV. A consolidação do poderio da Igreja Católica fez-se na Idade Média, momento no qual as fogueiras da Inquisição alastraram-se por vários países da Europa. A Idade Moderna, por sua vez, vivenciou a expansão ultra-marina, o Renascimento e a Reforma Protestate, assim como o processo de consolidação da formação dos Estados europeus. A Revolução Francesa, de 1789, embasada pelos célebres ideais iluministas, deu início à Era Contemporânea, quando as guerras napoleônicas, o acirramento dos nacionalismos e as duas Grandes Guerras geraram instabilidade institucional e nas relações pacifistas. Na segunda metade do século XX, em plena Guerra Fria, o continente experimentou a criação de um bloco supra-nacional, a União Européia, composto por 27 Estados-membros e alicerçado na paz, nos valores democráticos, na defesa dos direitos fundamentais e, sobretudo, na união das diferenças.

André Oliveira

 

 

"A bandeira da Europa é símbolo não só da União Europeia, mas também da unidade e da identidade da Europa em sentido mais lato. O círculo de estrelas douradas representa a solidariedade e a harmonia entre os povos da Europa.

O número de estrelas não tem nada a ver com o número de Estados-Membros. As estrelas são doze porque tradicionalmente este número constitui um símbolo de perfeição, plenitude e unidade. Assim, a bandeira mantém-se inalterada, independentemente dos alargamentos da UE." (Fonte: portal da União Européia - www.europa.eu)

 



Escrito por André Oliveira às 18h32
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Olá pessoal! Decidi criar este espaço para compartilhar, de forma simples, ilustrativa e direta, um pouco do meu dia-a-dia em Lisboa. O blog "Turista nunca, mochileiro sempre!" (www.euro2007.zip.net) permanecerá ativo, narrando as minhas viagens pela Europa.

Abraços e saudades de TODOS!

André



Escrito por André Oliveira às 14h12
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